Miostatina: velocidade ou resistência
A miostatina é uma proteína que freia o crescimento muscular. Em 2010, Hill e colaboradores mostraram que um polimorfismo no gene MSTN de cavalos Puro-Sangue Inglês estava fortemente associado à distância em que os animais tinham melhor desempenho.
| Genótipo | Tendência observada |
|---|---|
| C/C | Corridas curtas, mais velocidade |
| C/T | Distâncias intermediárias |
| T/T | Corridas longas, mais resistência |
Estudos posteriores mostraram que o SNP original funciona como marcador de uma inserção na região promotora do gene, que altera a expressão da miostatina. O SNP continua útil porque as duas variantes costumam ser herdadas juntas.
DMRT3: o gene da marcha
Em 2012, Andersson e colaboradores publicaram na Nature que uma mutação que interrompe a proteína DMRT3, ativa em neurônios da medula espinhal que coordenam os membros, está associada à capacidade de executar andamentos laterais. A variante é comum em raças marchadoras e em trotadores de corrida.
Para o Brasil, o tema é especialmente relevante pelo Mangalarga Marchador e pelo Campolina. Mesmo nessas raças, porém, o genótipo DMRT3 não explica sozinho a qualidade da marcha.
O que nenhum teste prevê
O desempenho atlético é uma característica poligênica: centenas de variantes com pequeno efeito somadas a nutrição, manejo, treinamento, saúde e temperamento. Genes de grande efeito como MSTN e DMRT3 são exceção. A seleção genômica, que usa milhares de marcadores ao mesmo tempo, é o caminho para capturar o restante, e depende de bancos grandes de animais genotipados e com desempenho registrado.